Sentimento Braguista - Uma questão de tempo

Sentimento Braguista

Uma questão de tempo

No futebol, como na vida, o tempo é um fator determinante.
E há certos acontecimentos que, para bem ou para mal, já sabemos que terão lugar. Disso exemplo foi a morte de um adepto, no passado 'derby' alfacinha. Como já se previra, era uma questão de tempo até que o rastilho do discurso acéfalo e destrutivo de dirigentes e painelistas derivasse nalgo assim…
Cá por casa, o Sporting Clube de Braga também ao tempo não tem sido imune, nem às marcas indeléveis que este naquele tem deixado, especialmente nos últimos anos, quando analisada toda a nossa história.
Recuando aos anos 90, lembramo-nos de um célebre treinador, talvez o pioneiro da mudança de mentalidades no nosso clube: Manuel Cajuda. Com ele, assistimos a uma ascensão classificativa do clube brácaro, anteriormente ameaçado, ano após ano, pelo fantasma da descida de divisão. Com recursos escassos, soube trabalhar a sua ‘lojinha dos 300’, atingindo resultados acima das expectativas. Mesmo assim, o seu discurso, feito após feito, era sempre cada vez mais ambicioso: “Quero que deixem de falar do Braguinha e comecem a falar do Braga! Esta cidade merece um clube à sua imagem, ou seja, o 3.º maior de Portugal! E há de sê-lo. É só uma questão de tempo”.
A verdade é que, daí em diante, presenciámos a várias etapas do crescimento do clube arsenalista: a supracitada ascensão classificativa; a obtenção de lugares europeus; a estabilização financeira; o crescimento da massa associativa; a intromissão nos lugares cimeiros; a disputa de finais internas e europeias; a colocação regular de jogadores nas seleções nacionais; a conquista de títulos; etc.
O nosso atual presidente, António Salvador, não tem tido uma ótica muito diferente daquela que Cajuda, então, tinha. São recorrentes os seus objetivos apelidados de “megalómanos”, “irreais” e “inatingíveis”. Todavia, poucos deles ficaram por concretizar. Aponta como limite o ano de 2020, até que nos vinguemos do vice-campeonato ou das agruras de Dublin.
Nós, adeptos braguistas, mais do que nunca, estamos plenamente convictos de que, mais cedo ou mais tarde, isso acabará por se concretizar.
Há outras convicções, porém, que são de tal forma expectáveis que seria, ao invés, descabido se não se concretizassem. Uma delas foi, sem dúvida, a de que Abel Ferreira se tornaria, inexoravelmente, o técnico principal do nosso clube. Isso tornou-se evidente aquando da saída de José Peseiro, imediatamente antes da chegada de Jorge Simão, no momento em que os Gverreiros, liderados por Abel (técnico, então, da equipa B), derrotaram o Sporting, no seu reduto. Mais do que pela vitória, a nossa convicção alicerçou-se na singularidade do discurso com que o jovem técnico nos presenteou, completamente diferente dos 'clichés' a que estamos acostumados. Aí, percebemos a humildade de quem não anseia uma ascensão alicerçada em pauis, de quem reconhece que há de chegar o dia em que irá conduzir os destinos de um clube que sempre o respeitou, pelo grande jogador, pelo grande profissional e pela grande pessoa que sempre foi.
Resta-nos, agora, presenteá-lo com o mesmo tempo com que, pacientemente, soube aguardar por nós. 

Enviar um comentário

[blogger]

MKRdezign

Formulário de Contacto

Nome

Email *

Mensagem *

Com tecnologia do Blogger.
Javascript DisablePlease Enable Javascript To See All Widget