De Cabeça Bem Erguida...



No final da temporada futebolística, o Vitória foi derrotado pelo Benfica por duas bolas a uma, numa derrota amarga, como todos os desaires são, mas saiu de cabeça bem erguida!

Saiu de cabeça erguida, pois conseguiu jogar olhos nos olhos com o campeão nacional que duas semanas antes o houvera goleado por cinco golos sem resposta. Aliás, na primeira metade, as melhores oportunidades foram dos Conquistadores, que fruto da surpreendente inclusão de Raphinha na ala esquerda aliado ao deslocamento de Marega para a zona dianteira central conduziu ao desnorte do último reduto benfiquista!

Saiu de cabeça erguida, pois a reacção a seguir ao vendaval benfiquista que conduziu a dois golos de rajada, demonstrou a força de uma equipa que deu tudo para vencer...que, como qualquer adepto desejaria, lutou até à última gota de suor, procurando vencer todas as adversidades...

Saiu de cabeça erguida, pois em três substituições, Pedro Martins ter sido obrigado a gastar duas, fruto das lesões de Hurtado e Hernâni (dois dos elementos mais influentes da manobra ofensiva da equipa), derreteria qualquer estratégia....no Vitória tal só serviu para os que ficaram cerrarem os dentes e lutarem como se não existisse amanhã...

Saiu de cabeça erguida, porque no esgar e semblante dos jogadores, no final do jogo, havia dor. Olhava nos olhos de Miguel Silva, Bruno Gaspar, Josué, Marega e todos os outros e sentia-se o quanto eles queriam dar aquela vitória aos vitorianos... a prenda por uma época excelente em que a equipa jamais caminhou só! Agradecer a invasão ao Bessa em dia de dilúvio próprio  da arca de Noé, a invasão à Covilhã, a um dia de semana, com temperaturas glaciares, ou a Chaves, em tronco nú e num jogo que faria de qualquer cardiologista rico...

E tal, leva-nos a outro factor que fez os vitorianos e o Vitória saírem de cabeças erguidas, vencedores da Taça de Portugal, ainda que o troféu, infelizmente, não tenha vindo para o Museu Edmur Ribeiro.

O espectáculo inolvidável de quinze mil adeptos, ou seja 10% da cidade, merece ser recordado por muitos e bons anos... perante uma intempérie de uma inclemência atroz, os vitorianos dos mais novos aos mais velhos deram uma verdadeira lição de amor ao clube! Cantando, dançando, improvisando como naquele fantástico canto que não saiu da cabeça de ninguém a dizer que "para nós a chuva é Sol", ou reforçando o grande slogan deste final de época que afirma que "sei que dói mas é lindo", a mancha branca foi de longe a grande vencedora da tarde.

Na verdade, em golos o Vitória perdeu... mas, quem tem coragem - fora os invejosos que sonham com o clube do Rei a todos os momentos - de dizer que mesmo perdendo ganhou? Ganhou o respeito de um país tolhido a três cores e em que a maioria dos adeptos gostam dos clubes porque ganham! Qual deles teria coragem, no fim do jogo, no êxtase da tristeza e no clímax da dor, de fazer pela última vez aquele ritual de comunhão, em que adeptos e jogadores trocam aplausos? Um momento que é de festejo tornou-se num irrepetível compartilhar da dor, pois ela latejava de modo igual em quem estava dentro e fora do relvado!

E assim, fica a vontade de regressar o mais rapidamente possível...o desejar voltar a lutar por um troféu.. mas, a verdade é que o Vitória perdendo, mostrou que o futuro tem de ser dele...assim, aqueles jogadores e os maravilhosos adeptos o merecem!