Sentimento Braguista - Balanço

Sentimento Braguista

Balanço

O Sporting Clube de Braga é, neste momento, um clube frustrado: tanto a nível interno como externo, poderia ter feito muito melhor e – verdade seja dita – todos esperaríamos muito mais.

Tais expectativas ficaram, seguramente, a dever-se à grande época transata, polvilhada com um nível futebolístico de primeira água. Porém, mais do que os resultados e do que a qualidade futebolística, houve a realçar a serenidade evidente em todo o plantel e em toda a estrutura: parecia haver uma simbiose perfeita entre as ideias da direção, da equipa técnica e dos jogadores. Aliás, desde que me recordo, nenhuma outra equipa técnica conseguiu utilizar tantas vezes todos os elementos do plantel principal, onde cada um se achou útil e prestou (boa) prova de si, sempre que chamado a intervir. Daí que se entenda como extremamente justa a distinção que o ex-treinador arsenalista recebeu na Gala Gverreiros de Ouro deste ano, sem se ‘esquecer’ humildemente daqueles que contribuíram mais diretamente para o seu sucesso: os jogadores. Na assistência marcou presença o atual treinador – Jorge Simão –, do qual se esperaria a retoma por essa linha dourada, da qual o clube se via afastado, com os recentes (maus) resultados do seu antecessor – José Peseiro. Este, até pela forma como saiu da última vez em que cá esteve, não reunia (de todo) a confiança e apoio desejáveis por parte da massa associativa, constituindo-se, logo à partida, como uma autêntica aposta de risco. De facto – e infelizmente –, estes receios tornaram-se realidade, tendo o mister sido dispensado a meio da época, depois de uma derrota caseira (no mínimo humilhante) para a Taça de Portugal, frente a um adversário (teoricamente) inferior, proveniente do segundo escalão (Sp. Covilhã), e de um afastamento precoce na Liga Europa.

Jorge Simão era a escolha consensual de quase todos os ‘treinadores de bancada’. Com provas dadas em clubes inferiores, com um perfil de liderança forte e ambicioso, na linha do que outros grandes treinadores aqui fizeram: Jorge Jesus, Domingos, Leonardo Jardim, Paulo Fonseca. Parecia não poder fugir do trilho de sucesso já para si preparado. Em termos pessoais, foi seguramente uma aposta de maior risco para o próprio Jorge Simão, do que para o Sporting Clube de Braga, já que aquele brilhava intensamente no G. D. Chaves, com uma equipa por si (bem) montada e com resultados auspiciosos na 1.ª Liga e Taça de Portugal. O clube arsenalista passava, então, por uma crise de identidade, em que a insegurança, a falta de confiança e a desorganização aparentes pareciam ser algo de inexorável.

Para as hostes braguistas, havia ainda em jogo a Taça da Liga e a luta pelo 3.º lugar no campeonato.
No entanto, cedo se percebeu que algo não ia bem por terras brácaras: no momento da contratação do novo homem do leme, o presidente – António Salvador – vinha a público alertar para o facto de haver muita gente que ainda não percebia “o que é estar no Braga”. Este discurso, por certo direcionado internamente, punha a nu alguns dos problemas que, possivelmente, estiveram na génese do insucesso desta época.

Pouco tempo depois, seria o próprio Jorge Simão a criticar severamente alguns dos ‘seus’ jogadores, denunciando situações de falta de profissionalismo, advogando que somente contaria com aqueles que estivessem ao seu lado, ao serviço do clube, e nunca a reboque dos seus próprios interesses. Como medida disciplinar daí adveniente, conhecem-se os já badalados afastamentos de André Pinto e Bakic.

Retomando aquilo que anteriormente foi explorado, verifica-se, portanto, um grande contraste entre o que tinha sucedido na época transata e aquilo que agora se passa. A equipa profissional de futebol parece, deste modo, uma enorme manta de retalhos, onde a desconfiança, falta de compromisso e desorganização são as características mais evidentes, sem retoma visível dos resultados que outrora a caracterizaram por “Gverreiros do Minho”.

Estranhamente, como se tudo isso por si só não bastasse, um sem número de lesões e subsequentes recaídas deixam no ar a sensação de que – salvo alguma bizarra coincidência aliada à má fortuna ou misticismo – não é somente a equipa técnica e os jogadores a necessitarem de uma urgente reformulação.

Depois da preparação minuciosa de todo este cocktail (molotov), o resultado final não poderia ter sido, certamente, muito diferente daquilo que atualmente é. Estamos ainda num honroso 4.º lugar (consoante os objetivos a que nos propusemos), em igualdade pontual, mas o sentimento generalizado é o de que esta época é, desde já, um grande fiasco…
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