Sentimento Braguista - Fazer jus ao epíteto

Sentimento Braguista

Fazer jus ao epíteto

O nosso treinador precedente, José Peseiro, não teve, segundo várias opiniões, condições favoráveis para desenvolver o seu trabalho. O próprio presidente o referiu, justificando que aquele teve um “trabalho difícil, devido ao clima externo e às várias contrariedades: lesões e outros problemas". Criticou também, então, a atitude de certos atletas: “… alguns jogadores ainda não perceberam o que é estar nesta casa (…) Alguns chegaram este ano, outros já cá estavam. Para os objetivos que ainda temos, esperamos que todos se empenhem para os atingirmos".
Nessa altura, havia ainda um 3.º lugar para defender (no Campeonato) e uma Taça da Liga para conquistar. Jorge Simão era, então, a escolha mais consensual para a sucessão. Objetivou, aí, a obtenção de 65 pontos. Neste momento, vemos já distante (5 pontos, que na prática são 6!) o objetivo mínimo no Campeonato: a 4.ª posição. A meta dos 65 pontos já não é matematicamente alcançável.
De facto, podemos, desde já, considerar que a substituição do anterior técnico pelo atual não trouxe o desejado upgrade. Muitos advogam, agora, que este treinador não é competente, por não saber ‘gerir o balneário’: quando chegou, criticou alguns jogadores; ‘desterrou’ outros; alterou os capitães de equipa; concedeu a titularidade imediata a jogadores acabados de chegar; etc. Outros, ao invés, consideram que o mal principal se encontra na atitude pouco profissional dos jogadores e na sua falta de empenho e comprometimento com o projeto do clube, pelo que seria difícil ao atual treinador fazer melhor com tal matéria-prima.
Na minha opinião, ninguém se pode demitir das suas responsabilidades: o presidente, pela escolha que tomou, tendo em conta o perfil dos dois técnicos contratados; o anterior treinador, por não ter sido capaz de dar continuidade ao bom trabalho do ano transato, nem ter sido disciplinarmente mais assertivo com os seus orientandos; Jorge Simão, por não ter compreendido as repercussões do seu discurso agressivo e das suas decisões imprudentes; os adeptos, por terem expectativas (demasiado) elevadas, relativamente a esta época, não sendo (legitimamente) compreensivos e apaziguadores, quando as coisas começaram a não correr de feição; os jogadores, por não terem entendido que teriam de se empenhar mais, seguindo os preceitos do clube e, acima de tudo, dignificado e justificado o cognome pelo qual são atualmente reconhecidos – Gverreiros do Minho.
Uma vez mais, na Capital do Móvel, foi isso que nos faltou: o espírito guerreiro e combativo que tanto nos caracterizava, de quem não dava uma bola por perdida, nunca virando a cara à luta. A ‘legião’ acompanhou-os em massa; infelizmente, não recebeu a compensação merecida. Entendeu-se, portanto, a reação final dos adeptos, insatisfeitos (novamente) com estes gverreiros infundados.
Nova batalha se aproxima; bem árdua, por sinal. Esperemos que, daqui em diante, os Gverreiros do Minho possam fazer jus ao seu epíteto…