Sentimento Braguista - Emancipados, pois claro!

Sentimento Braguista

Emancipados, pois claro!


O nosso último encontro era considerado, unanimemente, o jogo mais importante da jornada. O frente-a-frente entre SC Braga e FC Porto tinha dois aliciantes primordiais, relativamente aos objetivos atuais de cada uma das equipas: do lado do Porto, convinha não deixar o Benfica ganhar terreno na luta pelo título (pois os encarnados tinham acabado de vencer os maritimistas); quanto ao Braga, teria também obrigatoriamente de vencer, para que os vimaranenses não se distanciassem isolados no 4.º lugar (após vitória em terreno flaviense).
O ambiente era estupendo, com uma moldura humana imensa e entusiasta, em ambas as fações.
Nas hostes portistas, havia a convicção de que, com maior ou menor esforço, este obstáculo seria ultrapassado, apesar de o recente ‘fantasma’ de Setúbal ainda lhes causar alguns arrepios…
Relativamente aos arsenalistas, pairava um sentimento generalizado de desconfiança: se, por um lado, a época não tem corrido bem em termos de resultados e exibições, por outro, a equipa parece agigantar-se nestes confrontos teoricamente mais complicados.
O jogo começou com domínio quase total do Braga. Dando seguimento a essa supremacia, cedo se adiantou no marcador, através de um cabeceamento fulgurante de Pedro Santos. Ainda durante a 1.ª parte, o Porto equilibrou a contenda, ganhando o domínio de jogo, mas sem com isso criar oportunidades de verdadeiro perigo. Mesmo antes de terminarem os primeiros 45 minutos, surge uma oportunidade soberana para os Gverreiros ampliarem a vantagem, ao beneficiarem de uma grande penalidade; todavia, Pedro Santos enviou a bola ao ferro, o que se constituiu como uma dura contrariedade para os bracarenses e, ao invés, uma lufada de confiança para os seus adversários.
Na 2.ª parte, o Porto, como era seu dever, partiu ‘com tudo’ para cima do adversário, assumindo os bracarenses uma postura mais defensiva e expectante, fosse por estratégia ou por falta de capacidade. Mesmo assim, esse domínio não se traduziu, uma vez mais, em situações de iminente perigo para a baliza à guarda de Matheus, com a exceção do cabeceamento de Soares, que daria o empate aos azuis e brancos, sem que, depois disso, o resultado se alterasse até ao final da partida.
Acabado o jogo, restou nos braguistas uma sensação agridoce: o resultado não foi mau, mas, atendendo a todas as contingências, poderia ter sido bem melhor.
Quanto aos portistas, o sentimento era o de revolta em relação à equipa de arbitragem, responsabilizando-a pela (mau) resultado obtido.
Há quem diga que o Braga é já o 4.º grande. Há quem diga que ainda não o é. Na nossa família braguista, preferimos antes apelidá-lo de “Enorme. E, na verdade, penso que é realmente isso que o nosso clube é, ao demarcar-se de todo e qualquer subterfúgio que possa toldar a razão dos adeptos, ou escamotear a falta de competência na obtenção da vitória. Nisso mudámos, nisso somos agora diferentes e nisso deveremos continuar a sê-lo, tornando-nos num exemplo a seguir, ao negarmos contundentemente a velha máxima do “Quem não chora, não mama”.
É hábito recorrente, nos chamados Grandes, justificar-se os resultados negativos com a má arbitragem. Todos os comentadores o referem, todos o criticam, mas em todos os debates, insistentemente, esgotam o seu tempo de antena em análises minuciosas e inconsequentes ao trabalho do árbitro, em vez de analisarem o esquema tático definido, a equipa titular selecionada, os suplentes utilizados ou as decisões menos acertadas da equipa técnica e dos jogadores.
Assim se passou no passado jogo. Após o golo arsenalista, Pinto da Costa decidiu abandonar a tribuna presidencial para à qual fora convidado, alegando sentir-se indignado com o festejo exuberante do secretário de estado, José Mendes, reconhecido adepto bracarense. Na minha opinião, desde que não provocatório, nenhum festejo deveria ser encarado como impróprio. Se gostamos de transparência, essa não é mais do que a sua genuína e legítima concretização. A direção do nosso clube também assim – e bem – o entendeu, conforme comunicado posteriormente emitido.
Durante o jogo, inúmeras foram as vezes em que jogadores e diretores visitantes circundaram o árbitro, numa atitude que pretendia, por certo, condicionar as suas decisões. Após o jogo, vários adeptos se insurgiram igualmente contra as decisões do juiz, escalpelizando lance atrás de lance. Contas feitas, na comunicação social, são esses clubes Grandes sempre os mais prejudicados, pois os seus adversários lá não estão representados para contra-argumentar…
Meus senhores, não andámos a reboque dos interesses de ninguém. Não temos nenhuma simpatia especial por qualquer outro clube, a não ser pelo nosso. Não somos a segunda casa do clube encarnado; não seguimos as diretrizes do pontífice da Invicta; não envergamos o equipamento condizente com o primeiro dos nossos nomes.
Se assim o somos, por direito próprio o conseguimos. Somos emancipados, pois claro!