O Quarto Lugar...



Escrevo esta crónica quando o Vitória luta, palmo a palmo, pelo quarto lugar com o seu rival de sempre, o Sporting de Braga.

Quarto lugar esse, que como já se percebeu, vai ser disputado ao milímetro e que no fim da estrada tem um "pote de ouro" de dois milhões e seiscentos mil euros referentes à entrada directa na fase de grupos da Liga Europa.

Tal montante, desde logo, demonstra a importância da conquista da referida posição.

Porém, não será só por isso. Desde tempos imemoriais, o Vitória ocupou o lugar cimeiro do futebol a Norte do Porto. Na verdade, o grande rival dos "Conquistadores" desde sempre foi o Boavista, sendo o Sporting de Braga visto como o vizinho pobre que, de vez em quando, precisava de ajuda. Foi assim, ao longo da história, em que inclusivamente os jogadores vitorianos dispensados iam para a cidade vizinha prosseguir a carreira. E podíamos de cor citar alguns: Riva, Edmilson, Abel, entre tantos outros.

Porém, tal realidade mudou. Fruto de uma complicada passagem de testemunho, o Vitória pós Pimenta Machado sofreu de uma terrível crise de identidade. Vítor Magalhães conseguiu levar o clube para o inferno da Segunda Liga, Emílio Macedo da Silva resgatou-o desse turbilhão mas estará talvez ligado ao período mais negro da história do clube com os problemas financeiros quase a destrui-lo. Entretanto, em Braga, fruto de uma política de estabilidade e alianças com o poder, quer se queira quer não, o lugar que houvera sido do Vitória foi ocupado... e sem a sombra do segundo maior clube da cidade do Porto, que andava entretido em querelas jurídicas e sem a força de outrora.

Fruto dessa situação, quer se goste quer não, Júlio Mendes terá conseguido dar a estabilidade necessária ao Vitória para voltar a tentar ocupar o lugar no futebol nacional que é seu, de direito. O quarto lugar. O lugar na tabela que, este ano, ambicionamos mas que deve ser olhado como uma decorrência lógica para o quarto clube português em matéria de adeptos e, talvez, o segundo maior em termos de deslocações de adeptos da própria cidade em jogos fora.

Lugar esse, que como já comprovamos, quer pelos pergaminhos históricos, quer pela estrutura tem de pertencer ao Vitória. Lugar esse que permitirá catapultar a equipa para outros patamares, pois as quantias embolsadas, se forem investidas, lembrando-se como diria Cruyff que "nunca viu um saco de dinheiro marcar golos", cimentarão essa posição e permitirão dar o passo em frente que os vitorianos anseiam...

É a hora, Vitória...é a hora de, finalmente, após cinco anos de constrangimentos ( não obstante a vitória na Taça de Portugal de 2013 e a esperança infinda de repetir a façanha na presente época) dar o salto para voltarmos a ocupar o lugar que sempre foi nosso... O do principal outsider numa luta rumo a um título.

E, aqui, em Guimarães não nos precisam de prometer tal desiderato em campanhas eleitorais... deveria se condição sine qua non de qualquer presidente não virar as costas a tal objectivo e fazer tudo para o alcançar! Mesmo sabendo da sua extrema dificuldade!

Porém, a hora é de afirmação... daqui a pouco mais de um mês saberemos se temos condições únicas para apanharmos a carruagem da frente do comboio (vencendo a Taça de Portugal e garantindo o quarto lugar, bem como a entrada directa na fase de grupos da Liga Europa), ou se ao invés ainda teremos de aguardar mais algum tempo para reclamar um lugar que só deixou de ser do Vitória por culpa própria...

A hora é, pois, de decisões... não as falhemos!

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