O Grande Desafio



Escrevo-vos estas linhas com um estado de espírito absolutamente diverso do que quando encetei a minha colaboração com o RTreinador.

Na altura, fins de Janeiro, o Vitória parecia resvalar perigosamente para lugares indesejados, leia-se não europeus e o objectivo principal da época parecia em risco. E até o sonho do Jamor parecia difícil, olhando-se para um Desportivo de Chaves como uma equipa fortíssima, que fazia temer com que os blaugrana de Trás-os-Montes ocupassem o lugar tão desejado pelos branquinhos de Portugal.

Porém, com sapiência e trabalho tudo mudou... o Vitória soube-se encontrar após aquele jogo em Alvalade e tudo mudou. Neste momento a Europa (independentemente da fase que se almeje, fruto da classificação do campeonato ou da vitória na Taça de Portugal) é um dado quase adquirido, e ao invés da nossa última participação, há que a rentabilizar ao máximo.

E esse, neste momento, terá de ser o grande desafio para Júlio Mendes e seus pares!

Acredito que esporádicas classificações europeias nada trazem para o desenvolvimento de um clube... que o que importa é cimentar um lugar de referência, como já tivemos nos anos 90, em que um lugar europeu era praticamente dado como adquirido como sendo do Vitória e a partir daí construir as bases para um futuro integrado e que projecte o desenvolvimento do clube em todas as suas vertentes.

E, aí, é que estará o cerne da questão, que deverá passar, atento o, propalado e (espera-se!) confirmado maior desafogo financeiro, desde logo por uma maior estabilização da espinha dorsal da equipa! Na verdade, a entrada directa na fase de grupos da Liga Europa traz desde logo o bónus de mais de dois milhões e quinhentos mil euros... dinheiro mais do que suficiente para poder dizer que não, ou pelo menos a regatear o preço, a alguns hipotéticos interessados nos maiores activos da equipa.

Depois, fazer o que até agora foi bem feito, mas olhando com uma visão a prazo mais dilatado... pegar nos valores destacados da equipa B - e este ano, há tantos - e, ao invés de ter atletas cedidos a título temporário que em nada ajudaram a equipa, fazer desses jovens o corpo da equipa A, robustecida com a já referida base deste ano (excepto Hernâni, Celis, e outros cedidos) e projectar o futuro, no mínimo, a três anos com estes jogadores e com este treinador.

Conseguindo esta estabilidade, existirão condições para projectar o nome do Vitória na Europa do Futebol e dar o passo seguinte na modernização e entrada do clube no mais alto galarim do futebol nacional.

E, aí entrará, a segunda parte do desafio... aproveitar a visibilidade de um clube estável e com claro estatuto europeu, para almejar alguns objectivos que ainda não foram atingidos. Desde logo, a passar pela rentabilização da publicidade. Um grande clube merece um grande patrocínio e uma grande marca. O Vitória é apetecível e tendo êxito será mais! Urge a ligação do clube a um patrocinador à sua imagem.... uma imagem moderna, irreverente e nacional, com todo o respeito pelos empresários e comerciantes vimaraneneses que têm ajudado o clube nesta temporada.

Depois, aproveitar essa nova imagem, para uma agressiva campanha de sócios.... em vez de se investir em promoções recorrentes apostar em fidelizar esses adeptos esporádicos. Demonstrar-lhes que a paixão vitoriana é um permanente estado de alma e não uma questão de jogo ou momento... criar condições para que as crianças sintam orgulho em mostrar o cartão da família vitoriana, em que as mulheres ( e há cada vez mais no Vitória) sintam orgulho em comentar a realidade vitoriana, e em que todos assumam essa paixão.

Ligado a isto e se o clube pretende ter sócios e tendo, como tem, profunda consciência social, criar um projecto "Vitória Social" para ser, ainda mais, inclusivo. Ora, se o património imaterial dos adeptos é a maior riqueza do clube, porque não criar uma espécie de fundo que permita aos sócios que por uma razão ou outra não podem pagar quotas (desemprego, doença) possam recorrer, para num futuro, quando a sua vida melhorar, restituir ao clube?

Além disso, a abertura ao exterior... divulgar o nome do Vitória com visitas ao museu todos os dias e sem marcação, permitindo que os adeptos estrangeiros adversários e mesmo os nacionais possam conhecer o templo dos Conquistadores por dentro!

Um marketing mais activo, de acompanhamento... em que os produtos vendidos em vez de serem os habituais, projectem o acompanhamento dos sócios em todas as fases da sua vida... desde o nascimento, ao material escolar, aos blocos de apontamentos, até à fase do trabalho.... dando a certeza que os vitorianos teriam sempre uma solução branca e preta à mão!

E, são apenas, algumas hipóteses para resolver o grande desafio...a portas europeias, e a cinco anos do marco histórico do centenário, a resolução deste puzzle será conducente à afirmação do Vitória como quarta potência nacional, com vontade de se imiscuir ainda mais acima...