Urge Despertar o Monstro...



É o meu quarto artigo na rubrica "Cá, Pelo Condado", no site RTreinador. E dos três anteriores escritos ressalta a convicção que uma opinião sobre o Vitória Sport Clube interessa, é lida e discutida.

E isso, modéstia clubística à parte, é um imenso orgulho e denuncia o imenso potencial que o Vitória tem, e que, por vezes, parece estar desaproveitado.

Dizia Flávio Meireles, histórico capitão, no ano em que o clube guiado pela sábia mão de Manuel Cajuda almejou a pré eliminatória da Liga dos Campeões que "agora, que acordamos o monstro vão ter que levar com ele...

Corria o ano de 2008 e a verdade é que o monstro, nessa altura, acordou do coma, esteve, depois, em risco de falecer definitivamente e dessa experiência de quase morte ainda não recuperou totalmente.

E, refira-se que há tanto para fazer crescer o Vitória, caso seja essa a vontade. Antes de mais, o capital humano. O Vitória será dos clubes, e não falo dos três habituais, em cujas bancadas se vislumbram mais de duas gerações. Honestamente, se em Portugal se quer demonstrar que o futebol é um desporto para a família, nada melhor do que vir a Guimarães...ver-se-á nas bancadas avós levando os netos pelas mãos, pais ensinando os filhos em idade pueril a gritar golo e muita união...

Além disso, a indiscriminada igualdade de género. O Vitória é hoje um clube de todos e de todas. Quantas vitorianas acompanham a realidade do clube com interesse? Quantas vitorianas estão preparadas para intervir na vida do clube? Talvez, nisso seja também um caso ímpar... da possibilidade de preencher corpos directivos com elementos do sexo feminino, sem qualquer obrigatoriedade de quotas mínimas, que ao contrário do que se pretende só por si é um elemento segregador.

A juntar a isso tudo, a paixão de todos e em todos os momentos... Em que cidade, a um qualquer dia, se vislumbra no Inverno, o jovem a ir para a escola a proteger o pescoço do frio com um cachecol com o símbolo do Rei, ao invés de uma qualquer grife da moda? Ou, no Verão o orgulho de portar a camisola com o símbolo de Afonso Henriques, em todas as alturas e em qualquer situação? Já para não falar do hino entoado em qualquer situação, seja trauteado sozinho ou entoado, com os amigos, a plenos pulmões, numa qualquer noite mais etílica, em pleno Toural...

E depois, há a vontade de ler tudo e ver tudo a que ao clube diz respeito... a necessidade de correr à loja à procura de novos produtos e o consequente desapontamento por não existirem novidades... a vontade de registar primeiro o filho na família vitoriana do que no Registo Civil e dar-lhe um produto alusivo ao momento, que pela tenra idade não existe... a certeza que se for preciso iremos acampar para garantir aquele bilhete que nos vai permitir comparecer aquele jogo, que nos pode dar aquela vitória...

E esse manancial de paixão tem de ser aproveitado. Com um projecto desportivo ambicioso que responda aos anseios dos sócios e com a certeza que a paixão se multiplicará havendo bons resultados. Verdade que, para tal suceder, urge repensar algumas situações. Pensar que jogadores emprestados só serão úteis no ano da cessão e que não lançarão bases para o futuro. Pensar que há que ceder às tentações de vender à primeira proposta e convencer esses jogadores que terão um papel a desempenhar no futuro. Dar a certeza aos sócios que se irá criar um núcleo de atletas que, ao invés do que sucede e dando de exemplo a final da Taça de 2013, apenas Douglas permanece no plantel, permitirão a estes rever-se nesse núcleo duro que transportarão a mística do clube. Acreditar que temos um dos melhores centros de formação do país e aí poderá estar o nosso futuro e que ao invés de preencher o plantel com jogadores de fora, podemos valorizar o produto "made in Vitória"... e essas medidas, conjugadas com a paixão, tornarão o despertar do monstro irresistível e imparável...