O Sentir Vitoriano...A Base Para (Um Verdadeiro) Projecto Desportivo...


Um dos temas mais caros para qualquer clube reside na validade do seu projecto desportivo.

Projecto desportivo, esse, que para surtir efeito deverá ser a longo prazo, permitindo uma construção de um plantel de base, com jogadores formados nos escalões jovens, a célebre cantera, e retocado com indiscutíveis mais valias que permitam preencher as lacunas que os oriundos da formação não conseguem suprir.

E num clube, como o Vitória, tal ideia tem tudo para singrar e tornar-se uma verdadeira bandeira...

Desde logo, pelas condições ímpares que dispõe. Um concelho fervente em amor clubístico, cujos jovens sonham em vestir as cores brancas com El Rei Afonso ao peito.

Depois, pela condição geográfica que a cidade de Guimarães ostenta, sendo a única cidade com um clube de reconhecida nomeada na zona. À excepção de Braga, mais nenhum concelho circundante possui um clube na I Liga (Famalicão, Fafe, Felgueiras, Póvoa de Lanhoso), o que permitirá, caso assim se queira, uma evangelização das cores vitorianas para além das muralhas do castelo.

Além disso, o arreigado sentimento de pertença vitoriano. Qual o clube, como ontem sucedeu na Sport TV, que é merecedor de uma reportagem sobre o imenso amor que os seus sócios sentem por ele? Qual o clube, em que os sócios falam vinte e quatro horas da sua actualidade? Que dão aos filhos os nomes de Afonso (se forem rapazes) ou Vitória (nas meninas) em homenagem ao clube? Que os registam primeiro na família vitoriana que para efeitos civis? Qual o clube em que os adeptos se passeiam, a qualquer dia do ano, com as suas cores, seja um cachecol no Inverno ou um tshirt no Verão?

A acrescer a estes factores, falemos da militância. Pode-se ser adepto, como os apoiantes dos clubes de Lisboa na província, sem nunca sequer se ter ido a Lisboa. Sem se saber onde é o estádio da Luz ou de Alvalade. A brandir uma paixão petrarquista, porque nunca provada, sem sentir o que é o ambiente de um estádio...as cores das cadeiras...os cânticos entoados pelas claques... Pelo Vitória, tal não acontece! Vimaranense que o é, ou que sente o amor pela cidade e pelo clube, é impelido a ir ao estádio... sente tal obrigação como uma inexorável profissão de fé e nos momentos mais difíceis é que está presente. Por isso, ao contrário de adeptos pouco fiéis noutros clubes, o Vitória aumentou o número de sócios no ano do inferno da II Liga e é, actualmente, o quarto clube com mais adeptos no estádio e possivelmente o que mais desloca adeptos, em deslocações, da sua própria cidade.

Outro factor é a unicidade da paixão... há homens de barba rija, há os duros, mas também há as mulheres cada vez mais interessadas e dentro da idiossincracia vitoriana, há os jovens que cantam o jogo todo no sector ultra, há os velhos a brandir orgulhosos o seu emblema dos cinquenta anos e a levar pela mão os netos e as netas...partilhando memórias de tempos idos e que desejam perpetuar nessa sua continuação terrena, num momento em que a morte do corpo é mais próxima...

Há também, o forte sentido associativo...colectivista da cidade. Uma cidade que reconstruiu uma praça de touros consumida pelo fogo em escassos três dias. Uma cidade que fervilha de locais de encontro. Que tem expoentes próprios para se discutir. Onde os velhos se encontram no Milenário ou na Praça do Toural e os jovens na Oliveira, na esplanada do Coconuts, ou a afagar um shot na Praça de Santiago, nas portas do El Rock, mas que se preocupam e falam do mesmo... do Vitória, dos sonhos de uma época conseguida ou dos objectivos, que por vezes, ficam distantes.

E todos esses factores, obrigam a um projecto desportivo diverso dos demais e certamente diferente do que tem vindo a ser praticado. Um projecto em que a palavra mística faça sentido, em que a espinha dorsal se mantenha e nos balneários haja sentimento vitoriano, como o de Moreno, no passado Domingo, em que revoltado pela escandalosa arbitragem de Tiago Martins, não se conteve e demonstrou o seu sentimento...

E com essa manutenção, o projecto desportivo fará sentido. O facto de não vender precipitadamente dará um mais forte sentido de união. A certeza que casos como os de Ricardo, Paulo Oliveira, e agora,  já se fala, de João Miguel Silva ocorreram, apenas, por estrita necessidade financeira e futuramente não necessitarão de ser repetidos, dando a certeza que o Vitória clube e Guimarães cidade serão apenas um...irmanados num projecto desportivo de engrandecimento dos jovens formados nos corredores da Unidade, num sentimento de pertença único em Portugal.

Haja coragem para dar esse passo...e tornar ainda mais único um dos clubes com maior ipseisade do país...
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