O Mito... Eis a Força do Vitória!


Escrevo-vos num momento da época em que a tranquilidade e a esperança voltou a invadir os vitorianos.

Com efeito, desde o já escalpelizado malogrado mês de Janeiro que se estender Fevereiro dentro, que a esperança dos Conquistadores não atingia a dimensão actual.

Senão atentemos: a equipa vem em crescendo exibicional que foi coroado com uma clara e inequívoca vitória sobre uma boa equipa do Rio Ave. Decorrente dessa boa exibição, todos os vitorianos vislumbraram um Rafael Martins finalmente enquadrado com o esquema da equipa e marcando um golo de antologia, um Marega e um Raphinha a subirem exponencialmente os seus índices físicos, um Zungu finalmente a conjugar capacidade física com um incremento da intensidade do seu jogo, fora os outros atletas que continuam num nível bastante interessante para uma equipa que pretende atacar, inapelavelmente, o quarto posto da tabela classificava.

Quarto posto esse, que apesar, do que foi vislumbrado em certas fases iniciais da época, não ter o sabor doce que se desejava e esperava, poderá ser um tónico decisivo para o dia que os vitorianos já apontaram nos seus calendários e agendas. O dia da final da Taça de Portugal!

É verdade que o Vitória ainda se encontra nas meias finais da Taça de Portugal. Também é verdade que ainda tem de jogar a segunda mão dessa eliminatória num reduto difícil como o do Chaves. Também não é mentira que os flavienses, para lá do Marão, já fizeram cair equipas com ambições na prova como o Porto e o Sporting. Também é indiscutível que são bem orientados pelo jovem Ricardo Soares (mais um bom treinador português, com ideias bem definidas a aparecer) e que conseguem praticar um futebol enleado e sedutor.

Porém, como vitorianos não podemos ficar reféns desses factos...

Somos o Vitória e temos um objectivo.... e esse passa por tentar recuperar um título que em 2013 terá proporcionado, talvez, o dia mais feliz da minha militância como Vitoriano. Como poderei olvidar? Vi jovens em lágrimas inertes, paralisados e aterrados em moverem-se, com medo de despertarem do sonho, vi mais velhos aos pulos, quiçá olvidando que horas antes, sentiam aqueles inefáveis bicos de papagaio a corroerem-lhe os ossos, vi desconhecidos a abraçarem-se no mais profundo sentimento de comunhão e senti um troar de alívio por, finalmente, em noventa e um anos (na altura!) o Vitória ter alcançado um troféu nacional.

E fruto dessa amálgama de sentimentos que se desejam repetir, hoje, Guimarães acordou diferente. Talvez, se alguém, hoje, alheio ao fenómeno do Vitória, chegasse perto do Estádio D. Afonso Henriques, ficasse siderado, assustado, equacionasse que alguma manifestação de algum sector sindical descontente estive a decorrer.

Nada, mais errado, porém... Fruto do amor vitoriano, da esperança em voltar a sentir o odor dos eucaliptos e dos pinheiros da mata do Jamor, entrecortada com o delicioso farnel que se trouxe de casa, com o sonho de trazer a taça mais democrática do futebol português para a Terra onde Portugal Nasceu, desde as seis da manhã os vitorianos começaram a fazer fila para adquirir os bilhetes para esse desafio da segunda mão da meia final.

Bilhetes esses, que às dez e meia ( e eram cerca de dois mil) encontravam-se esgotados...deixando mais de mil pessoas desconsoladas, descoroçoadas e sentindo que não poderão acompanhar e ajudar os Conquistadores a carimbarem o passaporte para essa desejada final.

E esse facto, por muito que doa ( e a mim dói, pois fui um dos que fiquei sem bilhete, quando já me aproximava do guichet onde tudo se iria desencadear), demonstra uma realidade, que por muito que tentem esconder, é insofismável, é inelutável e está para cada vez mais se entranhar: a força do Vitória!!!

Dizem, os rivais invejosos e maledicentes, que os adeptos do Vitória, são um mito...que são iguais a todos os outros, que nada têm de especial. Pois bem... se os adeptos do Vitória são adeptos normais, então a anormalidade e o erro está no resto do país.

Se é normal levar cinco mil pessoas ao estádio do Bessa, num Domingo à noite, então os vitorianos são banais...

Se é normal, com temperaturas negativas, a um dia de semana, a meio de tarde, estarem mil pessoas na serra da Estrela a apoiar o Vitória, então os vitorianos são correntes...

Se é normal, num jogo em Portugal, sem jogar qualquer equipa dos três mais falados, estarem quase vinte mil pessoas a assistir ao desafio, os vitorianos nada têm de especial...

Mas, quando vemos equipas que até lutam pelos mesmos objectivos que o Vitória a ufanarem-se por terem seis, sete mil espectadores em desafios caseiros... a alegrarem-se por terem tido o apoio de cem ou duzentos adeptos num jogo a meia dúzia de quilómetros... talvez, essa seja a anormalidade!!!!

A anormalidade de não entenderem que em Guimarães, o fenómeno Vitória é algo que nunca sequer conseguirão ousar interpretar... que nunca saberão o que é amar só um clube mesmo que ele vença pouco... que nunca entenderão o porquê de se acampar para conseguir um bilhete para um jogo... e que nunca entenderão, no fim de contas, que um dos objectivos dos mitos residia em transmitir conhecimentos e explicar factos para os quais a ciência ainda não encontrou explicações.

E a verdade é essa: para este mito do que é ser Vitoriano a ciência ainda não encontrou explicações...nem sequer encontrará....e essa é a verdadeira força do Vitória!!!