O Futuro... (Pelo Menos Como Devia de Ser!)



Escrevo-vos após a vitória do Vitória, na primeira mão da meia final da Taça de Portugal, sobre o Desportivo de Chaves por duas bolas a zero, graças a dois portentosos golos de Hernâni.

Hernâni, que tem sido um dos jogadores mais desequilibradores do Vitória e que juntamente com Marega e com Soares, este até Janeiro, em muito ajudaram a conseguir pontos e vitórias que permitem olhar para o objectivo europeu e para o regresso ao Jamor com forte optimismo.

Porém, os referidos Hernâni e Marega, bem como no meio campo Célis, enfermam de um problema: são emprestados por clubes do mesmo campeonato, respectivamente FC Porto e Benfica, o que como consequência imediata,  desde logo limita o Vitória no confronto com estas equipas do mesmo campeonato.

E os factos mencionados colidem frontalmente com o que se quer para o crescimento de um clube e com o que foi denominado há algum tempo atrás de "paradigma da formação" e de "DNA Vitoriano".

Senão atentemos: as condições para as camadas jovens do Vitória se desenvolverem são absolutamente únicas. O Vitória foi o primeiro clube a possuir instalações que se assemelhavam às actuais Academias de futebol, fruto de uma visita do então presidente, Pimenta Machado, a Milanello, de onde à escala procurou decalcar o modelo.

Nessas instalações já apareceram e cresceram jogadores como Nuno Espírito Santo, Alex, Fernando Meira, Pedro Mendes, Cafú, Paulo Oliveira, Ricardo Pereira, João Pedro, entre tantos outros que conseguiram singrar no futebol português.

Assim, desde o berço, se criam jogadores com capacidades de um dia almejarem actuar na equipa principal.

Além disso, e facilmente reconhecido por qualquer seguidor do desporto-rei, o Vitória tem realizado um trabalho de excelência com a sua equipa B, verdadeira antecâmara da equipa A. Aliás, o troféu mais importante de 94 anos de história foi conseguido graças ao verdadeiro viveiro que é a equipa B, pois muitos dos atletas que venceram a prova-rainha do futebol português em 2013 começaram a época a jogar na segunda equipa vitoriana.

Equipa B, que fruto de um trabalho cuidado, tem conseguido ter soluções para sobreviver na II Liga, talvez o escalão mais competitivo do futebol português, à frente de Porto e Sporting e taco a taco com o Benfica.

Poder-se-á, neste momento, questionar se todos os jovens formados internamente poderiam corresponder a todas as expectativas?

Obviamente, a resposta terá de ser negativa... mas, também, não poderemos jamais olvidar que vivemos numa época global. Com um clique chegamos ao outro lado do mundo e em meia dúzia de horas estamos no outro lado do  globo. Assim, há que continuar a apostar numa cuidada política de scouting, que já permitiu descobrir pérolas como o lateral esquerdo Adama Traoré, o também lateral esquerdo e actual titular Ghislain Konan, o já citado Hernâni, Bernard, ou jovens jogadores na equipa B e que desde há algum tempo vêm reclamando uma oportunidade na equipa A.

E isso não escandalizaria, atenta a efectiva qualidade dos mesmos e a certeza que, em caso de boa oportunidade, os mesmos poderiam ser rentabilizados para voltar a fortalecer a equipa com novos activos, criteriosamente escolhidos.

E, assumindo estas prerrogativas como bandeira indelével da nossa entidade, estaríamos aptos a trilhar um caminho de desenvolvimento desportivo sustentado e prontos a calcorrear os passos da nossa independência.

Independência essa, que como é bom de ver, jamais seria fundamentalista... mas, permitir-nos-ia olhar para qualquer proposta de cessão temporária com outro critério. E, aí reside o cerne da questão: o critério com que se aceita um atleta emprestado. Na verdade, Hernâni, fruto de o Vitória ainda ter uma palavra a dizer caso o mesmo seja transaccionado pelo Porto e pela forte identificação com o clube, não pode ser considerado um mau negócio... mas, o mesmo se poderá dizer de tantos outros que olham para o clube de chegada como mero objecto, sem qualquer ligação?

O que dizer de cedidos como Rossell, Victor Andrade, Sami, Ivo Rodrigues? Foram úteis ou uma mera denegação de um paradigma e um contra-senso a uma política desportiva de evolução? Ou os problemas difíceis de resolver pelos conflitos disciplinares de Marega?

E é aí que residirá o que tem de ser o futuro vitoriano. Uma aposta declarada no que produz - pois caso contrário a equipa B perde sentido - para valorizar e desenvolver um projecto desportivo sustentado a elevar a equipa à quarta potência nacional, condimentado por um ou outro empréstimo em condições muito excepcionais, mas sempre tendo bem presente esse carácter de excepção...

Tal reforçará, além do mais, o forte vínculo entre adeptos e equipa, criando-se uma identificação que muitas vezes, e em muitos lados, se vai perdendo... a certeza de que estaremos a trilhar um caminho de futuro e que no futuro teremos bases sólidas e bem construídas, ao invés de se organizarem épocas apenas a olhar de Agosto a Julho, sem cuidar do futuro.

E quanto aos cedidos, em caso de impossibilidade de recorrer à cantera, ou identificar e comprar um atleta que preenchesse os requisitos pretendidos, olhar para o estrangeiro, e aí considerando uma ou outra cedência com hipótese de resgate... tentar fazer, o que se fez ( e bem!) com Hurtado... um jogador com experiência de campeonato Português, mas que pode actuar em todos os jogos e encara o facto de jogar no Vitória como um passo em frente na carreira, ao invés de ser uma despromoção e além disso, ter sempre a hipótese de, dentro de valores normais para a bolsa do Vitória, se poder adquirir definitivamente o jogador, caso o parecer técnico passe pelo facto de o mesmo ser uma mais valia!

E aí ter-se-á uma política desportiva de futuro e integrada. Uma política que olhará para a equipa B, de forma a valorizar os seus activos através da subida à equipa A, onde poderão ser conjugados com atletas extrínsecos ao Vitória, criando-se um projecto desportivo de longo prazo, sem a preocupação de se pensar que no fim da época a base da equipa estará depauperada ou que em determinado desafio a mesma estará inelutavelmente desfalcada. E esse, será o maior dos trunfos para alcançar títulos e classificações europeias...

P.S. Nos emprestados, tive o cuidado de omitir Otávio... terá sido uma bela surpresa e uma excepção... mas a verdade é que foi dos raros casos de emprestados que afirmou-se indiscutivelmente, ainda que após a sua saída se tenha gerado um "buraco" no plantel...

Enviar um comentário

[blogger]

MKRdezign

Formulário de Contacto

Nome

Email *

Mensagem *

Com tecnologia do Blogger.
Javascript DisablePlease Enable Javascript To See All Widget