2018...O Grande Desafio!



Escrevia-vos na passada semana que a força do Vitória está bem viva. Mais, não fosse pela extraordinária vitalidade que os incontrolavelmente apaixonados adeptos demonstram. Paixão essa que passa pela ocupação do estádio a mais de 60%, o que no país em que vivemos é uma verdadeira preciosidade.

Porém, isso, só por si, não basta....

Não basta, porque apesar de os vitorianos terem demonstrado que é nas dificuldades que mais se unem, sentem a necessidade de algo que os preencha, que lhes permita sonhar...

Fazendo uma resenha ao de leve da história de Júlio Mendes no comando do Vitória, relembremos que entrou no período mais difícil da história de um clube que na altura cumpria noventa anos. Não havia dinheiro para salários, os credores batiam à porta insistentemente, os pedidos de insolvência ameaçavam não tardar e nem sequer se sabia se a equipa ia conseguir ser inscrita na temporada 2012/13.

Porém, paulatinamente, e fruto, também, da sapiência e tenacidade de um homem de nome Rui Vitória, desportivamente começou a existir esperança. A equipa atingiu o impensável, vencendo a Taça de Portugal, e começou a demonstrar maior segurança, quer financeira, quer desportiva.

Não se pense, porém, que tudo foi um mar de rosas! Quem poderá esquecer o balde de água fria que foi aquela derrota com o Bétis de Sevilha, na Liga Europa, quando já se antevia a passagem à fase a eliminar na Liga Europa?Ou, a humilhação sofrida em casa com o Altach? Ou as fracas segundas voltas, após prometedores momentos nas primeiras? Ou, a quantidade de jogadores emprestados que vão povoando o plantel, tapando espaço a mais atletas da equipa B, e impossibilitando a construção de uma base sólida e duradoura para mais do que um ano? Ou histórias como a de Abdoullaye Bah que no último dia do período de transferências de Janeiro, voltou à casa mãe, deixando a equipa sem qualquer hipótese de suprir a sua falta?

Por estas razões, quando foi anunciado que a aposta vitoriana se centraria mais na vertente desportiva, os sócios regozijaram-se e acreditaram que "aquele seria o momento",  em que, através de bases e passos sólidos, se caminharia para um projecto a longo prazo, ou pelo menos com a duração do mandato, ao invés de se projectar temporada a temporada, começando-se sempre do zero todos os anos.

Porém, nada mais errado...quase de seguida o principal jogador da equipa foi vendido ao Porto, bem como o jovem João Pedro que ia dando nas vistas no meio campo. De um momento para o outro, o Vitória passou a entrar em campo com uma média de cinco, seis jogadores emprestados, que como é bom de ver para o ano não, previsivelmente, farão parte do plantel.

A acrescer a estas situações, não poderemos deixar de levantar a preocupação que a preparação da próxima época nos vem causando. Bastará abrir os jornais para analisar que 2017/18 promete não ser fácil.

Com efeito, atento a boa temporada que vem sendo efectuada, os jogadores dos quadros vitorianos, neste momento, encontram-se a ser muito cobiçados. Assim, fala-se de João Miguel para o Benfica, de Bruno Gaspar para o Lyon ou Lazio, de Josué para Bologna ou Atalanta. Se a estes juntarmos as saídas, por serem cedidos temporariamente, de Pedro Henrique, Celis, Hernâni, Marega, com que base podemos contar para a próxima temporada, em que previsivelmente o Vitória deveria ter uma base estruturada e sólida para ser competitivo na Liga Europa, almejando a entrada na fase de grupos, bem como consolidar o lugar de quarta maior potência nacional.

E esse será o grande desafio para quem manda no Vitória...assumir definitivamente que é a longo prazo que se constroem equipas, dando à principal uma base sólida e segura. Tal base seria o ruir dos famigerados anos zero que, anos após anos, vão atormentando o clube...

A acrescer a essa base, a certeza de que os melhores elementos da equipa B mereceriam o prémio de integrar os quadros da equipa A. Ai, com a mística vitoriana bem assimilada, sentiriam o cheiro de balneário da equipa principal, sentindo que estavam a caminhar na direcção correcta e que os seu percurso estava a ser premiado.

Nesse momento, ocorrendo tal situação,talvez as preocupações da debandada acima mencionada, fossem menores e o desafio do exercício do próximo ano nos parecesse mais optimista....
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