O arriscar


Correr riscos no Futebol é muito provavelmente o medo de qualquer treinador ou qualquer Presidente, mas nem precisamos de ir por aí.... o medo de arriscar é um receio do ser humano em geral. Preferimos sempre jogar pelo seguro, ficar dentro da concha e ignorar o que se passa o lado de fora, porque é muito provavelmente demasiado complicado para conseguirmos reagir de frente com um problema. 

No Futebol o medo de arriscar está presente em tudo, no Presidente quando escolhe um treinador ou quando contrata um jogador, no treinador quando escolhe o onze inicial ou quando o jogador está de frente para a baliza e não sabe se remata ou faz o passe para o colega correr o risco por ele. 

É difícil adivinhar o que quer que seja e numa altura em que o futebol é muito mais técnico e muito mais pensado do que aquilo que era há uns anos o risco é cada vez mas calculado. Os treinadores têm receio de pôr em causa um resultado com a entrada do jogador X ou Y, mas a verdade é que às vezes são eles mesmos que acabam surpreendidos. Seja pela positiva, seja pela negativa. Prova maior que o jogo de sábado não há. Nuno Espírito Santo colocou Soares de inicio e foi surpreendido pela positiva (ou se calhar não) e Jorge Jesus decidiu colocar Matheus Pereira e viu-se que não fez efeito. 

O risco faz parte de tudo, das contas do campeonato e de tudo aquilo que diz respeito ao Mundo do futebol em geral, mas a verdade é que eu hoje estou a falar dos riscos que se poderiam correr e não se correm com medo das represálias que muitas vezes acabam por vir agregadas à situação. 

No futebol não há meio termo, ou é, ou não é, ou resulta ou não resulta. Ou falha, ou marca. Mais simples que isto é difícil, mas ainda assim os treinadores têm de ter a consciência daquilo que foi feito para poderem pensar no risco que estão a correr. 

Voltando a falar do Porto x Sporting, Nuno Espírito Santo sabia que era um risco colocar Soares no onze inicial. Afinal de contas era um recém-chegado, mas também é verdade que chegou com ritmo de jogo... e viu-se o que fez. Já o risco que Jorge Jesus correu para mim, enquanto adepta de futebol não faz sentido. Colocou Matheus, Matheus esse que só tinha um minuto, eu repito amigos.... Um minuto de jogo no Campeonato num jogo que era o tudo ou nada para os leões. Matheus não tinha ritmo de jogo e por bom que ele seja, que é, a verdade é que eu, enquanto adepta, não estava, nem estive à espera de um jogão por parte dele. 

É deste tipo de riscos que falo. Quando um treinador faz uma apostas tem de ter consciência de várias coisas e a primeira delas é a importância do jogo.... Se fosse um jogo com o Moreirense, ou com o Tondela (não descredibilizando os dois emblemas) fazia sentido dar tempo e espaço a Matheus, mas num jogo com o Porto ? Enfim. 

A verdade é que há riscos e riscos e sim, quem não arrisca não petisca, mas o risco tem de ser pensado e calculado, não a base do um dó li tá que resolve, neste caso que não resolve, alguma coisa. 

Vemos-nos na quarta feira :)