Tempo para Pensar


Chega Janeiro e com ele o mercado de transferências volta a fazer parte das capas de jornais, "O Benfica conseguiu X por 10M", "O Sporting procura Y para o lugar de Z", "O Porto precisa de um médio com capacidade e V está na mira dos Dragões". 

Os jornais fazem as contas de quem entrou e quem saiu ou quem poderá regressar aos grandes em Portugal e acabam por dar uma vista de olhos ao que se passa no Mundo lá fora, mas para mim, enquanto apaixonada por futebol, o mercado de transferências é muito mais do que isso. 

É certo que é através dele que a grande maioria dos clubes consegue garantir lucro ou uma boa compra, mas a verdade é que penso que as coisas deveriam ser vistas de uma outra forma. 

Não basta garantir um lateral esquerdo, um médio, um avançado ou um central só porque a grande estrela está lesionada, ou porque o que vendemos não era bom o suficiente para fazer parte do plantel e acabava no banco de suplentes ou na bancada. Para se fazer compras e para se "despachar" quem está a mais e ainda conseguir ganhar um trocos com isso é preciso pensar. 

Para se fazer as coisas como deve de ser, de modo a obter-se o melhor retorno possível com uma entrada, um empréstimo, um regresso ou uma saída, acho que há aqui vários aspectos a ter em conta: 
-O primeiro, e talvez mais importante, é de se aquele jogador faz efectivamente falta à equipa e se o dinheiro que vai ser investido tem a garantia de retorno e de que o rapaz vai ser titular. Porque em boa verdade, não me adianta de nada estar a gastar 15M por um avançado se eu já tenho 3 na equipa e sei que ele não vai ter espaço; 

-O segundo aspecto a ter em conta é a prestação desse mesmo jogador. Seja para emprestar, para vender, ou para comprar, os clubes têm de ter noção de quem é que está ali e o que é que tem feito pela equipa. Se efectivamente se verificar que o esforço foi em vão eu acho que não vale a pena manter só porque ele é o preferido do treinador e dos adeptos. Se o rapaz foi mau enquanto cá esteve, cometeu erros consecutivos e não dado nada de especial ao colectivo, eu vou mantê-lo para quê? 

-O terceiro e último ponto que deve ser entendido por todos é que uma equipa é um número colectivo e por muito boa que seja uma proposta daquela que é uma das peças-chave do meu meio-campo , eu, enquanto presidente ou treinador de um clube, tenho de pensar nas opções que tenho antes sequer de achar que é muito giro pôr 40M ao bolso. Se as soluções não forem pensadas, antes de qualquer decisão não faz o mínimo sentido estar com os bolsos cheios quando a equipa não me mostra resultados. 

Obviamente que, para mim, o mercado de transferências implica novidades a todos os níveis, mas acho que se os responsáveis pensassem nisto tudo antes de começar a comprar/vender/emprestar, não haveriam flop's, desilusões ou arrependimentos.