Ou és do Benfica ou és "dos outros"


É comum para quem percebe e para quem adora o futebol ouvir muitas vezes a famosa frase "Só há dois clubes em Portugal: O Benfica e os anti-Benfica". Hoje resolvi falar um bocadinho sobre esse mesmo tópico aqui no Lado M. 

O porquê? Porque acho que passe o tempo que passar esta mesma afirmação vai continuar a ser uma certeza na boca dos apaixonados do clube encarnado. Ao mesmo tempo acho que esta frase não podia ser mais falsa. 

Eu sou apaixonada por futebol, apesar de ter o meu clube do coração, eu gosto mesmo é de ver jogar à bola e, muito sinceramente, pouco me importa se do outro lado está o Benfica, o Porto, o Sporting ou o Sevilha. 

É comum dizerem-me que apesar de ser apaixonada pelo clube que amo, sou também imparcial ao ponto de admitir que a equipa contrária tem um estilo de jogo que gosto. Admitindo eu, ou não, que sou sportinguista, eu tenho de ter a noção que escrevendo sobre o desporto Rei todos os dias não posso só escrever sobre o que me apetece. Sobre o Sporting ou sobre a formação que pôs no Mundo jogadores como o Figo e o Cristiano. 

Eu tenho noção da grandeza do meu clube, mas mais do que isso, tenho também noção da grandeza dos vizinhos da segunda circular. Daí conseguir imparcial. Se gosto de o ser? Não tenho de gostar ou de desgostar do que quer que seja. É trabalho e estando eu a falar no mesmo dia de Sporting e do Porto tenho de saber distanciar as coisas. Há a Mariana a trabalhar e há a Mariana a nível pessoal e isso é coisa que tem de ficar aqui bem definida. 

Hoje escrevo com uma mistura das duas. A frase do "Ou és Benfica ou és anti-Benfica " não podia ser mais mentira no que me diz respeito a mim. Eu não sou do Benfica, mas também não sou anti-nada. Aliás, porque é que raio é que eu, não sendo do Benfica, as pessoas assumem automaticamente que eu só vou ser anti-Benfica? 

Estou farta de pensar que esta frase que muitas vezes ouvimos nos grupos de amigos tem dois lados: o de necessidade de assumir que o clube em questão é pior que o Benfica (e depois os outros é que são antis) e a necessidade de mostrar que o futebol em portugal se limita em falar mais dos outros do que os seus próprios erros. 

É lógico que sendo jornalista eu consigo ter a noção de que há uma equipa que joga pior ou melhor que as outras, mas isso chama-se bom senso e distanciamento. Mas também é verdade que depois de ter admitido sem medo o meu clube e se vier dizer que o Benfica no jogo X ou no jogo Y não mereceu ganhar (mesmo que o jogo em questão não tinha sido contra o Sporting) vou estar a ser anti-Benfica. 

Ser imparcial é ser assim mesmo, não ter medo de admitir que eu sou do Sporting, mas que tenho a noção de que isso não faz de mim anti-benfica, ou uma pobre e mal agradecida (quiçá traidora) do meu clube. 

Enquanto existirem estas mentalidades pequeninas do "Ah tu não és do Sporting, tu és é anti-Benfica porque disseste que naquele jogo o Benfica não esteve bem", vai sempre existir esta coisa do "ou és do Benfica, ou és dos outros." Não, não sou do Benfica, não faço questão de ser, mas sou dos outros, daqueles que têm noção de que o futebol se consegue ver de forma imparcial.