Uns filhos, outros enteados



É surreal. A paixão que move milhões de pessoas no Mundo tem disparidades tão grandes que me deixam embasbacada e não, não estou a falar das diferenças de qualidade entre duas equipas, muito menos estou a falar da diferença de orçamentos... Falo da diferença de importância para a imprensa que têm os emblemas, ou até os locais onde estão presentes as equipas. 

É frequente vermos preferências desportivas em canais de televisão, em jornais ou até em rádios. Por muito imparcial que tente ser um meio de comunicação, a verdade é que é uma imparcialidade disfarçada, porque em boa verdade tudo se nota. 

Hoje, falo de um tipo de parcialidade diferente. Hoje vou falar da Chapecoense, a equipa brasileira que ficou destruída depois de um acidente de avião na Colômbia, mas também vou falar da Kaweibanda. 

Confusos? Pois é. A equipa da Kaweibanda também ficou destruída depois de um naufrágio que matou 30 pessoas com adeptos, equipa técnica e jogadores incluídos... Não foi um avião, aqueles homens não iam para uma final, não eram a equipa sensação e também não encheram capas de jornais, de murais das redes sociais, não tiveram aberturas de telejornais e muito menos tiveram direito a uma hashtag. 

De modo algum estou a desvalorizar aquilo que aconteceu à equipa da Chapecoense, estou apenas, e também, a dar importância a uma situação que aconteceu em África, também a uma equipa de futebol e que também ficou destruída depois de um acidente. 

Para percebermos o porquê de isto acontecer, temos de perceber primeiro a situação. Uma das tragédias foi no Brasil... a outra no Uganda. Como jornalista vejo tudo isto como factor-noticia, mas a verdade é que uma encheu manchetes e a outra não, porquê? Porque se passou em África? Por serem jogadores e adeptos de quem ninguém tinha ouvido falar antes? Não acredito que a maioria das pessoas conhecesse os jogadores da Chapecoense. Porque a equipa do Kaweibanda não ia para uma final? Então, mas o amor ao futebol só é aplicável a equipas que ganhem ou que atinjam alguma coisa de importante? 

É triste. É triste que o jornalismo Mundial tenha chegado ao ponto de dar tanta importância a um acidente e a outro tão pouca. É triste aquilo que aconteceu à Chape, é triste aquilo que aconteceu à equipa da Kaweibanda, mas ainda mais triste é o facto de uns serem filhos, outros serem enteados, porque eu, na minha santa inocência, achei que o amor ao futebol, com todas as alegrias e tragédias inerentes, era muito maior. 

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