O efeito do calor na corrida


Quem correu as meias maratonas do Douro Vinhateiro, D’Ouro Run e de Guimarães, por exemplo, ou os trails da Raposa, dos Quatro Caminhos ou da Freita saberá, por experiência própria, que o calor não mata mas mói. Muito. O facto de as pernas parecerem não responder com a mesma agilidade não é apenas impressão dos menos bem treinados. É uma consequência de uma reação do organismo, explicou o professor Catedrático de Fisiologia da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto José Soares.

“Quando corremos, todo o nosso organismo torna-se muito eficiente, de forma a que grande parte do sangue seja direcionado para os músculos que estão em ação, neste caso, as pernas. Isso é que faz com que as pessoas treinadas nunca fiquem vermelhinhas quando estão a correr, porque o sangue vai diretamente para os músculos exercitados, contrariamente às pessoas que não treinam, cujo sangue está a ser redirecionado para uma zona errada”, diz o docente.

Nesta equação, o calor funciona como “stresse fisiológico adicional”. À temperatura corporal já aumentada pelo exercício, soma-se a temperatura externa, que também faz subir a interna, o que provoca “algumas limitações na produção de energia”. Porquê? Porque “há uma ‘preocupação” do organismo em dissipar” esse aumento de temperatura, fundamentalmente através do suor.

“Se deixarmos a nossa temperatura subir muito, vai ser necessário um grande esforço do corpo para dissipar o calor e, portanto, menor capacidade orgânica temos nós para regular o fluxo para aquilo que é preciso”, ou seja, alimentar os músculos. Resultado: “A performance baixa”.

O docente e também praticante de corrida – que prepara o lançamento de um livro sobre o tema – explica como amenizar esse efeito. Trata-se de manter a temperatura corporal o mais baixa possível, o que passa por usar “roupas frescas” e procurar hidratar-se “significativamente para a água servir como forma de ajudar também a baixar a temperatura, para o corpo não ter que fazer um esforço suplementar por, para além do exercício, ainda ter que dissipar calor”.

Outra dica importante (e de certeza que muitos já viram pessoas a correr debaixo de sol com impermeáveis, talvez resquício de uma teoria que faz crer que suar mais ajuda a emagrecer) é “não utilizar equipamentos que aumentam a sudação e dificultam a dissipação de calor”, aconselha José Soares.

Fonte: JN